Duas empresas de turismo que comercializavam pacotes promocionais de viagens na região de Irecê passaram a ser alvo de acusações de um suposto golpe após a divulgação de comunicados informando o cancelamento de diversas viagens e reservas já vendidas para 2026. As informações, que circularam entre clientes nos últimos dias, provocaram apreensão entre consumidores que afirmam ter quitado integralmente os pacotes, por meio de Pix e cartão de crédito, e que agora tentam entender as responsabilidades diante das versões divergentes apresentadas pelas empresas envolvidas.
O primeiro aviso partiu da Janira Turismo, que informou aos clientes sobre o cancelamento de viagens e reservas programadas. No comunicado, a empresa afirmou que os cancelamentos teriam ocorrido de forma unilateral pela EHTL Viagens Ltda., empresa que intermediava as reservas junto aos hotéis. No texto, a Janira Turismo declarou que as reservas teriam sido regularmente contratadas e confirmadas, que os valores foram negociados em condições promocionais antecipadas e que não teria havido inadimplência por parte da agência ou dos clientes. Ainda segundo o comunicado, medidas judiciais já teriam sido adotadas com o objetivo de tentar restabelecer as reservas e responsabilizar a empresa que teria promovido os cancelamentos.
Em seguida, a EHTL Viagens Ltda. divulgou um comunicado oficial aos consumidores, apresentando uma versão diferente dos fatos. A empresa informou que não mantém mais qualquer vínculo comercial ou operacional com a Janira Turismo e que diversas reservas intermediadas pela agência estariam sendo canceladas em razão da ausência de pagamento integral, o que impediria a confirmação e a manutenção dos serviços contratados. A EHTL ressaltou ainda que a validade de qualquer reserva está condicionada ao pagamento efetivo dos valores devidos, dentro dos prazos estabelecidos, conforme regras do setor de turismo. No comunicado, a empresa afirma ser também vítima das condutas praticadas pela agência intermediária, alegando prejuízos financeiros e danos à sua reputação, além dos impactos causados aos consumidores. Segundo a EHTL, os fatos já foram comunicados às autoridades por meio de registro de boletim de ocorrência.
Na região de Irecê, a situação ganhou maior repercussão porque a Janira Turismo contava com pessoas que, de forma informal, auxiliavam na organização de grupos interessados em adquirir pacotes promocionais. Uma dessas intermediadoras, que pediu para não ser identificada, registrou um boletim de ocorrência relatando que atuava apenas como facilitadora de comunicação entre os interessados e a agência, sem vínculo contratual, societário ou empregatício com as empresas envolvidas. No registro policial, a comunicante informou que os pagamentos realizados pelos passageiros foram feitos diretamente à Janira Turismo e à EHTL, por Pix e cartão de crédito, e que os vouchers de viagem chegaram a ser emitidos e repassados aos clientes. Ela relata que, no dia 18 de janeiro de 2026, foi surpreendida por mensagens informando sobre o cancelamento das viagens, o que gerou cobranças, preocupação, abalo emocional e prejuízos à sua credibilidade pessoal.
Diante dos cancelamentos e da incerteza quanto à realização das viagens, diversos consumidores passaram a registrar boletins de ocorrência e a buscar orientação jurídica para tentar reaver os valores pagos. Advogados também já foram acionados por parte dos clientes afetados. Os pacotes comercializados envolviam destinos turísticos variados, incluindo resorts na Bahia, como Iberostar, Grand Palladium e Vila Galé, entre outros empreendimentos hoteleiros.
De acordo com estimativas que circulam entre consumidores e pessoas envolvidas nas negociações, o valor total dos prejuízos potenciais em Irecê e região pode ultrapassar R$ 3 milhões. No entanto, não há confirmação oficial desse montante, e os números ainda dependem de apuração.
FONTE: IRECÊ REPÓRTER.

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