Mais do que um título, a conquista representou uma quebra de paradigma. Até então, o futebol baiano vivia sob domínio absoluto dos clubes de Salvador, enquanto equipes do interior enfrentavam preconceito dentro e fora de campo. O Fluminense era chamado de “tabaréu” e “time de vaqueiros” por parte da imprensa e da torcida da capital.
Mas o apelido virou combustível.
Com um elenco formado majoritariamente por jogadores vindos do futebol amador feirense e comandado pelo técnico Antônio Conceição, o Flu encarou o Bahia em uma decisão histórica disputada em até três jogos na Fonte Nova. Após dois empates dramáticos — 0 a 0 e 1 a 1 —, veio o duelo decisivo.
Na “negra”, como era chamada a terceira partida, o Bahia saiu na frente com gol de Biriba. O Fluminense reagiu com Iroldo e sacramentou a virada histórica com Renato Azevedo, autor do gol que eternizou o clube na história do futebol baiano: Fluminense 2 x 1 Bahia.
A conquista teve sabor ainda maior porque o time feirense não possuía o investimento milionário da época nem grandes estrelas nacionais. Enquanto o Bahia montava um elenco caro, o Flu apostava em atletas locais, raça e identificação com a cidade.
Sessenta e três anos depois, o título de 1963 continua sendo tratado como um dos maiores orgulhos esportivos de Feira de Santana, um dia em que o interior deixou de ser figurante e mostrou que também podia ser campeão.

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